Sexta-feira, Maio 18, 2012
Sexta-feira, Maio 11, 2012



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quissama.rj.gov.br

Treze de Maio:
JONGUEIRO CUMBA
Wilson Moreira – Nei Lopes


O sino badalou no campanário
O hino da Senhora do Rosário
O povo todo bonito
Canta pra São Benedito.
Lá de Luanda o luar
Vem pra nos alumiar.
Angüara é pra correr de boca em boca:
Não pára, que essa goela fica rouca!
Canta, meu povo do Congo
Afoga essa mágoa no jongo
Não deixa angoma calar!

Ai, eu sou jongueiro cumba
Sou jongueiro cumbambá
Oi, é tumba na cacunda
Ninguém vai me perrengar... - BIS

Ô, Dora, tira a roupa do balaio
Vambora festejar Treze de Maio
Vem que o boião tá fervendo
Depois só no mesmo de novembro
Mês de Zumbi saravar
E de parar pra pensar
O dia é tanto treze quanto vinte
Avia, que o negócio é o seguinte:
Um é feriado novo
O outro é todo esse povo
Vamos os dois festejar.

Ai, eu sou jongueiro cumba
Sou jongueiro cumbambá
Oi, é tumba na cacunda
Ninguém vai me perrengar...

**

N.E.: Para o vocabulário, consulte “Novo Dicionário Banto do Brasil”, Rio, Pallas Editora, 2ª. ed. aumentada, 2012.




Quarta-feira, Maio 09, 2012

FERNANDO MOLICA ESCREVE SOBRE O ‘DICIONÁRIO DA HINTERLÂNDIA CARIOCA’

Hoje, no jornal O Dia. Leia aqui.







REVISTA DE HISTÓRIA REPUBLICA ENTREVISTA

Leia aqui.




Quinta-feira, Maio 03, 2012



TANTINHO TÁ DODÓI....

... Mas como o ele é madeira
Que cupim não roi
E como a velha Mangueira
É mourão de primeira
Que ninguém destrói
Tudo com Tantinho
Vai ficar de novo azul
Pois ele está aos cuidados
Do ABNEGADO DOUTOR BIGU*

__


(*) – Onze entre dez estrelas do samba têm no legendário DOUTOR BIGU, da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, seu Anjo da Guarda, muitas vezes salvador.
Doutor Bigu já está merecendo mais do que uma medalha...






TV BRASIL HOMENAGEIA NEI LOPES

No próximo sábado dia 05/05, será exibido na série Musicograma da TV BRASIL, o programa "Especial Nei Lopes - 70 anos" às 21h30.

O programa terá uma reprise na madrugada de segunda para terça à 0h30.





Sábado, Abril 28, 2012



FORÇA, NEGRO-VIDA !!!

Anos atrás, prefaciando um livro do imortal Abdias Nascimento, lembrávamos a “tirada” de Nelson Rodrigues, segundo a qual Abdias Nascimento (citamos de memória) seria “o único negro autêntico do Brasil”. E lembrávamos dando razão ao autor de “A vida como ela é”. Porque, no tempo de seu texto, os anos 50, o afro-brasileiro proeminente, cioso e orgulhoso de sua descendência africana era mesmo raro.

Os que tinham ascendido ou experimentavam processo de ascensão social ostentavam quase sempre uma postura ambígua: ou mascaravam sua condição étnica na lacuna da “origem humilde” ou a descartavam como dado irrelevante.

Até aí, e apesar de experiências como a da Frente Negra, o indivíduo afro-brasileiro era, assim, apenas algo a ser “examinado, olhado, visto”. Era sempre tema e nunca ator de seu próprio destino – como muito bem teorizou o negro Guerreiro Ramos, fundador da sociologia brasileira, amigo e colaborador do líder Abdias.

A esse “negro-tema”, Guerreiro contrapunha o “negro-vida”, que resiste ao grilhão e nunca se deixa imobilizar. E, aí, nesse tipo de indivíduo, o sociólogo afro-baiano personificava a própria força vital, chamada – segundo aprendemos – axé, entre os iorubanos; nguzu entre os congos; tumi entre os aças; baraka entre os africanos islamizados.

Nos anos 50, quase todos os negros proeminentes do Brasil foram apenas “negros-tema”, incapazes de assumir o discurso anti-racista na primeira pessoa. Os “negros-vida”, como Luiz Gama, Monteiro Lopes, Hemetério dos Santos etc., ou foram mitificados, folclorizados, satirizados ou, no extremo, literalmente varridos da memória coletiva.

Vai daí que, então, no Brasil, o indivíduo negro era quase sempre assim: olhos baixos, andar pesado; ou descarregando sua revolta em pedradas inconseqüentes. Até que veio Abdias Nascimento, por trilhos tortuosos, conduzindo o comboio e o sonho da eliminação do racismo e da exclusão dos negros (pretos e mulatos) na sociedade brasileira.

Com a partida de Abdias para a outra dimensão, no ano passado, a galeria dos negros-vida se desfalcava. Até que reluz com brilho próprio, no cenário da mais alta magistratura brasileira, a figura de Joaquim Barbosa.

Empossado no STF em 2003, quatro anos depois o Ministro Barbosa ganhava projeção nacional ao ser relator do processo que colocou no banco dos réus importantes figuras da política brasileira acusadas de corrupção, em combate ferrenho ao poder econômico e ao corporativismo. E agora, mesmo enfrentando ferrenhos obstáculos em seu ambiente de trabalho, teve papel decisivo na decisão do Supremo sobre a constitucionalidade da adoção do sistema de ingresso por cotas nas universidades públicas.

O Lote saúda esse valoroso “negro-vida”, desejando-lhe Saúde e Força em sua importante missão.




Quinta-feira, Abril 26, 2012



CARLOS ROBERTO DE OLIVEIRA, “DICRÓ” – 1946-2012

Se tivesse nascido em outra “circunstância”, Dicró poderia tranquilamente ter sido um publicitário famoso, um comediante de peso, um artista-criador respeitado, enfim.

Mas não foi assim. De qualquer forma, quem o conheceu e o admirou, como nós, sabe que ele deixa saudades.




Quinta-feira, Abril 19, 2012



ECOS DA BIENAL DE BRASÍLIA

De volta da Bienal de Brasília, cujas maiores atrações foram o nigeriano Wole Soyinka (foto acima) e a afro-americana Alice Walker, o “grilo” grila mais forte:

Quantos escritores afrobrasileiros (pretos e mulatos) nós conhecemos? Talvez não sejam muitos, mas alguns são muito importantes: Machado de Assis, Paula Brito, Luiz Gama, Cruz e Souza, Lima Barreto, João do Rio... Entretanto, quase todos são do século 19. E os do século 20 pra cá?

Agora: quantos escritores com nomes de famílias que indicam origem européia, levantina ou asiática atuam, hoje, com grande brilho, no Brasil, e, muito merecidamente, freqüentam os festivais e os suplementos literários?

Aí vem o grilo: será que os afrobrasileiros desaprenderam a arte da escrita? Será que os que escrevem não publicam mais; ou apenas não chegam às livrarias e, consequentemente (ou vice-versa), não aparecem nos jornais, revistas, tevês e festivais?

Segundo algumas opiniões, dentro da lógica de mercado vigente no Brasil de hoje, qualquer produto que traga referência à identidade afrobrasileira é de difícil aceitação. E, no universo literário, a ideia geral seria a de que nossa escrita é, ainda, “primitiva”, naïf, infantil, carente de um processo de depuração e aprendizado que a faça atingir “os cânones em que se baseia o lavor literário dos escritores consagrados e de prestígio”.

Foi isso o que ouvimos, entre cochichos e rumores (felizmente não gravados) na Bienal de Brasília.

Mas será que é isso mesmo?





NEI LOPES NO RIO LAPA NEWS